sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Sombra de luz



Não espero encontrar nada no vazio
Nenhum som
Nenhuma forma nem cor
Apenas o tempo que o tempo demora a passar
Neste mundo invertido
Em que o sol é um buraco negro que suga toda a luz
Mas há algo aqui
Uma sombra... não...
Um vulto de luz no negrume do dia
É uma luz pulsante
Dela sinto um calor que já não conheço
Mas sei...
Sei que outrora fez parte de mim
Numa ténue lembrança de uma vida
Que há tanto tempo perdi
E sem mexer um músculo da cara, sorrio
Sinto-me sorrir enquanto o calor entra na minha pele
E de repente sinto-o bater outra vez
O sangue a correr nas veias
Consigo respirar
E quando os olhos se habituam
A luz lentamente deixa de ofuscar
E surgem contornos, que ganham nitidez aos poucos
Vejo uma mão a tentar alcançar-me
Tenho medo de lhe tocar
Já não conheço mais nada para além deste vazio
Mas há algo que me faz sentir conforto nesta luz
A minha mão alcança-a e o mundo transforma-se
Tudo o que era escuridão é agora luz
E a luz é agora o sol
E a tua mão na minha
O teu sangue e o meu a pulsar nas veias
Estou vivo outra vez?
É real?
Talvez...

sábado, 25 de fevereiro de 2012

"A pele que há em mim"



Quando o dia entardeceu
E o teu corpo tocou
Num recanto do meu
Uma dança acordou
E o sol apareceu
De gigante ficou
Num instante apagou
O sereno do céu

E a calma a aguardar lugar em mim
O desejo a contar segundo o fim.
Foi num ar que te deu
E o teu canto mudou
E o teu corpo do meu
Uma trança arrancou
O sangue arrefeceu
E o meu pé aterrou
Minha voz sussurrou
O meu sonho morreu

Dá-me o mar, o meu rio, minha calçada.
Dá-me o quarto vazio da minha casa
Vou deixar-te no fio da tua fala.
Sobre a pele que há em mim
Tu não sabes nada.

Quando o amor se acabou
E o meu corpo esqueceu o caminho onde andou
Nos recantos do teu
E o luar se apagou
E a noite emudeceu
O frio fundo do céu
Foi descendo e ficou

Mas a mágoa não mora mais em mim
Já passou, desgastei, p’ra lá do fim
É preciso partir
É o preço do amor
P’ra voltar a viver
Já nem sinto o sabor
A suor e pavor
Do teu colo a ferver
Do teu sangue de flor
Já não quero saber…

Dá-me o mar, o meu rio, a minha estrada,
O meu barco vazio na madrugada
Vou-te deixar-te no frio da tua fala
Na vertigem da voz quando enfim se cala.


by Márcia com JP Simões


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Vazio





















...apenas isto, o vazio...














terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O tempo não existe


Esperar é ingrato.
Não sei se estamos a andar em frente, para trás ou em círculos.
Tenho medo.
Tenho medo de me perder de ti.
Dói.
Dói saber que te dei espaço e não voltaste, não nos deste uma oportunidade de tentar juntos.
Perdi-te.
Mas não consigo conceber que tenha sido para sempre.
Sinto-te.
Sinto cada instante que passámos juntos, cada momento da nossa história.
Cada vez que te peguei na mão e senti a pele macia.
O aroma.
De todas as vezes que te dei um beijo e senti o teu cheiro.
O calor.
De todas as vezes que te abracei.
O tempo.
Que parou nos instantes em partilhámos algo maior que nós.
A luz
Que existiu nos momentos em que olhei para ti e vi
Vi
Vi que és o reflexo do meu sonho
Que sentes o mundo como eu, que partilhamos os valores e os desejos
Sei
Que és a pessoa certa, ou uma pessoa certa, mas a que eu conheço
A que eu sei o quanto vale, o quanto merece tudo o que tenho para dar
A que eu sei que tem tanto para dar, sem promessas de eternidade, mas em cada dia
Que eu vejo ao meu lado a construir um futuro, pouco a pouco, dia a dia
Que eu vejo ao meu lado a criar vida e passá-la ao mundo
A que eu quero ter ao meu lado enquanto envelhecer, a ver a paisagem mudar, com um sorriso
E tenho medo
E espero
E o tempo não existe

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Tive uma ideia, vou mudar o mundo


Tive uma ideia, vou mudar o mundo
Vou mudar os continentes de lugar
Para que visto do céu o mundo tenha o teu nome escrito
O teu nome desenhado por novas montanhas que vou erguer pedra a pedra
Por novos vales que vou escavar com as minhas mãos
Com um sopro movimentar os mares para suavizar os contornos das letras

Quero que o universo saiba e passe a mensagem
Quero que a energia infinita das estrelas te traga luz para a leres
Te traga calor para a sentires
Para que cada raio de sol te faça lembrar o que é sentir o que esqueceste
Para que cada brisa morna te arrepie como se eu te tocasse de leve sem esperares
Para que vejas o quanto vale o que não morreu
Para que sintas essa pequena luz por dentro
Que sem aviso faz esboçar um ligeiro sorriso
Que permite renascer o que se perdeu

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

E a tua luz não chega nunca


Começo sem saber o que escrever
Há uma força em mim que não controlo,
que não consigo abafar nem esquecer
Perco-me por me sentir perdido
Vejo-me à distância mas não chego até mim
Não sei como lá cheguei, nem sei como voltar

As coisas têm cores diferentes, não eram assim
Há detalhes que eu ignorava, e que continuam a não ter importância
Mas eu vejo-os, e são imperfeições
São o carácter do que não é relevante mas que faz parte de tudo
Às vezes tudo importa tão pouco

Quando o chão se desloca debaixo dos pés
Sem que passe tempo nenhum
As coisas não têm peso
Flutuam, misturam-se com as palavras
E sobem com o ar, perdem-se no espaço

Há uma força em mim que não controlo
Há pensamentos que vivem dentro da cabeça sem permissão
E o tempo esmaga qualquer tentativa de esquecer
Alimenta a escuridão que vive presa de si
E quando sinto os pontapés no peito, de dentro para fora
Não consigo pensar por mim
Não consigo abafar nem deixar de sentir
E a tua luz não chega nunca

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Are we happy at all?




Are we happy
Were we ever happy at all
What are we chasing
Will we ever find peace of mind

Do we keep searching
Should we stop digging down the hole
Will i find comfort
Will i find it hard to ease my soul

I don’t want to live unsatisfied
But I don’t want to keep searching forever
I want to smile to the world
And find a place to feel that i belong

In my haunting memories
The happy days still make me sad
They’re so heavy on my shoulders
Keep bringing me down

The past was full of promises
And you let our future die
And still i wonder
If you ever think of us at all

I force myself to walk
Through this maze of empty streets
With the tears of love and pain
I still can’t wave goodbye

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Electricity


Seems like you never really knew me
Seems like you never understood me
Seems like you never really knew how to feel
But electricity it drew you near to me
What you needed was to be rid of me

There were times you really made me smile
And there were times you really made me cry
And there were times I never really knew how to feel
But electricity it drew you near to me
What you needed was to be rid of me
And the fear made you so unsure of me
What you needed was to be rid of me.

But electricity it drew you near to me
What you needed was to be rid of me
And the fear made you so unsure of me
What you needed was to be rid of me.



...by Anathema

http://www.youtube.com/watch?v=9LwN



segunda-feira, 25 de abril de 2011

Não tenho vida em mim



Não tenho vida em mim
Não tenho céu nem asas
Não guardo a chama e o fogo
Nem o tempo que passa

Guardo apenas
O vazio de ti
Neste corpo dormente
De braços atados

Não tenho sede nem fome
Nem sentido de mim
Levaste tudo contigo
E eu morro por dentro

Guarda-me as palavras
Os sonhos e os pensamentos
E sente em ti
O que eu tenho por dentro

Leva-me o meu ser
Sente o meu querer
Mas devolve o meu mundo
Contigo lá dentro

domingo, 10 de abril de 2011

Silêncios



Descobri que há vários tipos de silêncio.

Há um silêncio que sai do vazio.
Começa por ser triste, mas afinal é apenas desprovido de qualquer motivo para alegria.
É um silêncio que faz ecos mortos pela casa até ser apenas um zumbido, até ser novamente silêncio.
É frio, estranha-se no corpo.
É o silêncio que se instala quando partes.

Há um silêncio diferente, cheio de sons, com uma dinâmica que vem de dentro.
Os sons ganham corpo, dão contexto à acção, aos gestos, ao estado de alma.
E quando o silêncio volta ele brilha, tem algo de quente e espectante.
É preenchido por coragem e medo, oscilando no tempo que passa devagar.
É o silêncio que antecede o teu regressso.

Há um outro silêncio.
Ele é emotivo e feliz. Quente e febril.
Mas é curiosamente doloroso enquanto se liberta lentamente o peso do peito e sente a paz instalar.
É o silêncio de teu regresso e do teu corpo enquanto te abraço.

Há um silêncio calmo, aconchegante.
Preenchido de sentimentos simples mas completos, fáceis mas perfeitos.
Há uma fúria calma, um caos controlado, uma ordem sem regras.
É toda uma montanha de momentos, sentimentos e sensações que se completam.
Que se encontram em pleno equilibrio, forte mas delicado.
É o silêncio da tua presença, aqui ao meu lado.

Há um silêncio ambíguo.
É um silêncio traiçoeiro, que tem tanto de bom como de seguida fere devagar.
Que ora é esquecido, ora volta a magoar, que quebra a paz.
É o silêncio das horas que se precipitam para o momento em que terás de partir.

Há um silêncio que é dor.
Que é tristeza instalada. Que não tem palavras de alívio ou compaixão.
É um silencio sem remédio ou solução.
É curto mas interminável, e doi, doi fundo na alma.
É o silêncio do momento da tua despedida.

E todo o restante silêncio é um turbilhão.
Medo, dúvida e desespero...
Luta, raiva e tristeza...
Cansaço, dor e apatia...
E há um momento de silêncio em que tudo volta, e tudo se repete,
sem que eu saiba qual silêncio eu vou ter por fim...


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Não desistas de mim...



A porta fechou-se contigo
Levaste na noite o meu chão
E agora neste quarto vazio
Não sei que outras sombras virão
E alguém ao menos me diz

Há um perfume que ficou na escada
E na TV o teu canal está aberto
Desenhos de corpos na cama fechada
São um mapa de um passado deserto
Eu sei que houve um tempo em que tu e eu
Fomos dois pássaros loucos
Voamos pelas ruas que fizemos céu
Somos a pele um do outro

Não desistas de mim
Não te percas agora
Não desistas de mim
A noite ainda demora

Ainda sei de cor o teu ventre
E o vestido rasgado de encanto
A luz da manha e o teu corpo por dentro
E a pele na pele de quem se quer tanto

Não tenho mais segredos
Escondi-me nos teus dedos
Somos metades iguais
Mas hoje, só hoje
Leva-me para onde vais
Que eu quero dizer-te

Não desistas de mim
Não te percas agora
Não desistas de mim
A noite ainda demora

E não desistas de mim
Não te percas agora

---
by Pedro Abrunhosa

quinta-feira, 15 de abril de 2010

It's just a dream


You say my dreams, they make you worry
I'm wishing things that are too far for us to hope
You pull me close and whisper softly
How much you love me and I hold you right back

You say my dreams, they make you wonder
I'm wishing things not even angels could hope for
And you're afraid I'll become a drifter
Away from whatever became of our love

But baby, when I dream
I do get lost in it
I fall into the places you refuse to see
And they're beautiful and free
Oh, when I dream, my heart, it goes on fire
And I don't want to hide it
How could you deny it?
It's just a dream

Underneath this stillness
I swim a troubled sea




"It's just a dream", by David Fonseca

http://www.myspace.com/davidfonseca
http://www.youtube.com/watch?v=Wze68XieBlU

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

The things we left behind




The things we left behind
we can never go back
I wonder if i really would want to
What we left to stay unsolved
What we left unspoken
I don't want to go back
But sometimes it's just to much

The things we lost were left behind
There's no one there anymore
We're not the same, uncreated
We'll never close the scars

The things we left behind
We'll never go back again
Why, why do i feel it all burning
What we left to stay unsolved
What we left unspoken
why i still hear those words
They keep looping in my mind

The things we lost were left behind
There's no one there anymore
We're not the same, uncreated
We'll never close the scars

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Absinto




Existência pálida e sombria
Memórias reminiscentes de uma vida perdida
reflectidas no presente desse rosto inerte
Por entre gritos sem significados concretos,
por entre copos de absinto,
lamentas o que nunca foi, o que nunca sentiste

Uma triste alma mora nesse corpo débil
E só quer esquecer o que sempre conheceu
Numa ausência cruel de vida
Que nem a morte aparece, libertadora
Percorres o obscuro do teu ser
Para encontrar uma razão que te faça ser alguém

Desse lugar onde estás não há como fugir
Não podes desistir de uma desistência perante a vida
Não podes caminhar sem que a alma presa em ti
te faça sentir dor, e essa angústia no peito,
e esses gritos mudos que não te moldam a expressão.
Tens que deixar sair... mas só lutas para esquecer.



--- Quadro: "Absinto", Degas ---

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Hope there's someone...




Hope there's someone
Who'll take care of me 
When I die, will I go

Hope there's someone
Who'll set my heart free 
Nice to hold when I'm tired

There's a ghost on the horizon 
When I go to bed 
How can I fall asleep at night 
How will I rest my head

Oh I'm scared of the middle place 
Between light and nowhere 
I don't want to be the one 
Left in there, left in there

There's a man on the horizon 
Wish that I'd go to bed 
If I fall to his feet tonight 
Will allow rest my head

So here's hoping I will not drown 
Or paralyze in light 
And godsend I don't want to go 
To the seal's watershed

Hope there's someone
Who'll take care of me 
When I die, Will I go

Hope there's someone
Who'll set my heart free 
Nice to hold when I'm tired 


Antony and the Johnsons, from "I'm a Bird Now"

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Longe





Ouves-me? Tento fazer a minha voz chegar até ti. Olhas o mar, olhas o fundo do mar com toda a atenção. Sentes cada leve ondulação que ora trás o mar mais perto, ora leva o mar mais longe. Sentes como se fosse no teu corpo. E o som, de uma brisa que teima quebrar a monotonia, que se mistura com as ondas que tentam subir as areias em vão e trazem as pedras consigo de volta ao mar. Eu vejo o que tu sentes, porque te sinto. E, por mais que queira, a distância até ti não muda. Por mais passos que dê na tua direcção, vejo-te sempre ao longe. E não consigo quebrar esta melancolia, este silêncio, esta tristeza que paira no ar e que tanto pesa. Dói-me não perceber se sabes que estou aqui, dói-me por cada lágrima que deixas cair, morro por cada suspiro que treme ao sair do teu peito. Quando olhares para trás, vem, procura a minha voz.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Renasce




Não sei porque escrevo
Sei que há coisas que têm que ser ditas
Coisas que não se explicam mas estão aqui.
Sentimo-las como se fossem gente
Quase falamos com elas, quase choramos com elas.
Mas são coisas, são palavras sem som
São ideias que não se pensam.
E quando essas coisas ganham forma e cor
Quando as conseguimos ouvir cheias de vida
São como uma chuva de luz na escuridão negra
Como se renascesse em mim uma inocência perdida.


quarta-feira, 15 de abril de 2009

Another face in the window







They're all the same, assimilated
And here am I born of a lost cause
The underdog, an alien in drag, dying
So who's to say there's any shame in
being alone when the dogs are outside
In packs of ten, their muzzles removed, biting
I tried to save my inner sanctum
While all around were still playing with fire
The fact remains
I've never been moved to sell myself
I don't want to be another face in a window
Seeing life through a screen, bathed in a warm glow
Fade like so ...


"Another face in the Window" -- by Antimatter

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Why did you stop flying?


graceful gestures
you are always somewhere over me
swinging and swiming
dancing colours flow

i just closed my eyes for an instant
and you're laying by my side
so quiet and cold
so pale and still

so tell me
why did you stop flying?

is it my eyes or is it you
or is it just the thing between us
so silent and grey
so desperatly grey

could you just tell me
why did you stop flying?

you stopped flying for me
why did we fall?

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

still of time


i've been wanting to see beyond
this blurry conceptions of reality
my truth is not there to be found
no truth is there to be seen
i cling to my inner self
just to have something to hold on
but sometimes i feel ...you?
no one is there, nothing seems to be real
...are you real? i want you to be
i want you to be my other me
but i can't see you, don't know where to find
i just hope that you'll come, someday
i take a moment and wait
and wait, and wait
i take a moment, in the still of time